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  • Instituto de Formação de Líderes Jovem São Paulo

A maior falácia da atualidade: economia de soma zero!




Surpreendentemente, vivemos em um mundo no qual as pessoas ainda tentam propagar que a economia seria igual a um jogo de tênis, no qual para alguém ganhar o outro, necessariamente, deve perder. Neste artigo, pretendo de maneira simplificada demonstrar a razão pelo qual tal afirmação não passa de uma falácia ou, em termos atuais, uma “Fake News”. Farei isso por meio de constatações lógicas e racionais, utilizando conceitos liberais, dados e autores renomados.

Em primeiro lugar, tal afirmação estipularia que as transações ocorridas entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas) não seriam voluntárias, mas obrigatórias, assim como os impostos, que são obrigações existentes mediante coerção governamental. As trocas privadas são voluntárias, sobretudo no regime de livre mercado, uma vez que o indivíduo tem o poder de decisão se quer adquirir um bem/serviço ou não, assim como de quem irá adquiri-lo, podendo, inclusive, o vendedor optar por dinheiro ou qualquer outro meio de troca. Ora, caso as trocas comerciais fossem realmente um jogo de soma zero, e um dos indivíduos acreditasse que aquilo que está dando em troca. vale menos do que o que está recebendo, é evidente que a troca sequer aconteceria.

Assim, por não existir um planejamento central – via de regra, estatal – cada pessoa tem o poder de escolha sobre suas necessidades e a importância que determinada troca tem para si mesmo, sendo o valor dos bens e serviços comercializados algo subjetivo, e , dessa forma, permitindo afirmar que as trocas são absolutamente voluntárias. Além disso, a alegação de que a economia seria um jogo de soma zero parte do pressuposto de que a riqueza do mundo já é dada e não é possível aumentá-la, como se a riqueza fosse um elemento natural não renovável, o que não é verdade.

O crescimento da riqueza acompanha o progresso tecnológico e científico, os quais geram um novo valor para um conjunto de matérias primas agregadas. Ao analisarmos a crítica de Marx ao capitalismo, é possível verificar que ela se centra na ideia de que se o trabalhador é o responsável pela manufatura de algo, ele deve ter o direito de obter todos os ganhos do que produziu ou do produto em si. Porém, essa é a função para o qual foi contratado, caso não existisse uma “burguesia malvada” isso não iria ocorrer, uma vez que a matéria prima, as máquinas de trabalho e a estrutura para a produção de tal bem seriam inexistentes. Entretanto, vamos analisar a questão sob a perspectiva da teoria marxista, e considerar a apropriação dos meios de produção até então “monopolizados” pela burguesia. Para Marx, o proletariado, por não ter acesso a esses meios, não tem outra escolha além de se submeter a condições de trabalho exploratórias, permitindo que o empresariado se aproprie de parte do valor gerado pelo seu trabalho. Esse valor, ‘tomado’ indebitamente pelo burguês, é denominado mais-valia.

A teoria marxista de exploração, no entanto, desconsidera um fator de suma importância: as preferências intertemporais. Esse conceito nos apresenta a ideia de que o valor de um bem é indissociável do tempo necessário para que se possa usufruir dele ou de seus frutos. Assim, é possível afirmar, ceteris paribus, que os bens presentes são preferíveis aos bens futuros, e para que um bem presente seja renunciado em prol de um bem futuro, é necessário que exista uma recompensa. Portanto, entre dois bens idênticos, sendo que um deles mostrará frutos de prontidão, enquanto o outro apresentará frutos apenas em 20 anos, a preferência de um indivíduo ou firma se inclinará àquele, visto que a incerteza que recai sobre um bem cujo recebimento está previsto em 20 anos é muito maior do que a que recai sobre o mesmo bem quando o seu recebimento está previsto para o presente ou o futuro próximo. Portanto algo que somente será aproveitado daqui um grande espaço de tempo possui valor menor que o que será utilizado agora. Por exemplo, caso um empresário deseje abrir uma fábrica, precisará realizar um investimento no presente, aportando uma determinada quantidade de capital, além de pagar o salário de seus funcionários desde o primeiro mês de funcionamento. Entretanto, mesmo sabendo que a fábrica gerará, possivelmente, um fluxo de caixa desde o começo, o empresário não obterá qualquer retorno sobre seu investimento durante um grande período de tempo. Tal retorno só será aferido quando o negócio atingir o break-even (zero a zero), e a partir daí o empresário começará a receber os lucros. Esse tempo até atingir o lucro propriamente dito pode ser de 1 ano ou pode ser de 50 anos, e é justamente esse fator de tempo, associado ao risco envolvido, uma vez que não se sabe se os ganhos esperados serão de fato recebidos, o que justifica os ganhos superiores por parte do. capitalista. Enquanto o trabalhador recebe o seu salário desde o primeiro mês de trabalho, o empresário precisa lidar com a espera e o risco que está associado a ela possivelmente por muitos anos. Assim, é imperativo que o empresário receba uma recompensa pela espera e pelo risco ao qual ele se expõe, e essa recompensa é o lucro.

Além disso, caso o trabalhador recebesse aquilo que os marxistas consideram o valor integral do trabalho, sem a existência da chamada mais-valia, seria necessário, para que as pessoas tivessem incentivo para investir, que pelo menos o investimento inicial retornasse. Porém, esse retorno nunca é garantido, e como o investimento inicial seria no máximo retornado em um zero a zero, sem qualquer lucro, não existiria razão lógica para qualquer indivíduo correr riscos, investir e inovar para o resto da história. Assim, todos os investimentos seriam concentrados no Estado, que, como será demonstrado ao longo do texto, não possui a mesma capacidade e os mesmos incentivos para a inovação e a produtividade. Ademais, todo o progresso que ocorreu ao longo da história se deveu a alguma motivação extra, tendo sido, em grande parte dos casos, financeira (ouro, terras, dinheiro etc.). Sem essa motivação extra que propicia ascensão pessoal, não existiriam incentivos para a inovação. Um exemplo de falta desse incentivo ocorreu na extinta União Soviética (URSS), que destinava grande porcentagem de suas reservas e todo seu arsenal científico para a indústria bélica, pois era o fator primordial para sua manutenção no poder. Enquanto isso, os bens de consumo, essenciais para a vida de seus habitantes, ficaram defasados no tempo, porque além de não contarem com o investimento estatal, os seus funcionários não tinham motivações para procurar desenvolver alguma nova tecnologia, já que não teriam benefício algum.

Com isso, percebemos que, assim como Ludwig von Mises defendeu em sua obra, uma empresa estatal tem muito menos incentivos para aumentar os benefícios aos seus clientes, pois não necessariamente precisa ter lucros para manter as portas abertas, uma vez que os prejuízos podem ser socializados, por meio de tributos. Enquanto isso, uma empresa privada vai buscar maximizar esses benefícios, com maior qualidade do produto e menor custo, pois necessita ter lucros para servir seu propósito. Sendo assim, uma empresa privada age com mais eficiência para. melhorar a qualidade de vida das pessoas do que uma estatal.

Neste contexto, é evidente que uma empresa possui capacidade maior para gerar riqueza do que uma iniciativa estatal, pois manufatura produtos e serviços mais úteis, baratos, e menos custosos. Um exemplo é o aço, que nada mais é que um bem manufaturado a partir do ferro, porém vendido por um valor muito superior ao de sua matéria prima principal, pois seu processo de transformação lhe agregou valor. Entretanto, é fundamental ressaltar novamente que o valor de algum produto ou serviço é subjetivo. Como exemplo, para algumas pessoas um mesmo relógio pode ter diferentes valores dependendo das circunstâncias sob as quais foi obtido, para além do esforço colocado em sua aquisição. Ademais, ressalta-se a diferença entre o valor dado a atividades envolvendo esforços distintos, e um exemplo seria o valor que a sociedade dá ao trabalho de um programador em comparação ao de um pedreiro, mesmo que este faça um esforço físico maior. Isso porque a valorização da utilidade atribuída aos seus trabalhos é diferente e, consequentemente, apresenta valores relativos, podendo ser maiores ou menores.

Ainda no tópico das empresas, os defensores da teoria da economia como um jogo de soma zero comumente pregam a existência de uma suposta exploração dos trabalhadores. Esta afirmação seria plausível se estivéssemos tratando de uma ditadura socialista, uma vez que nesse caso não se tem o. direito de decidir com o quê e onde trabalhar, sendo todos os aspectos da sua vida determinados pelo Estado. No capitalismo de livre mercado, o trabalhador não é obrigado a laborar para a empresa X ou Y, ele tem o poder e a liberdade de decidir onde quer fazê-lo e se aceita ou não a remuneração ofertada pela firma – ninguém o obriga a trabalhar. Além disso, o fator primordial que maximiza a liberdade de escolha do trabalhador é a competição entre as empresas pela mão de obra, que faz com que ele migre para outra empresa caso a firma na qual trabalha pague um salário baixo. Sendo assim, as firmas necessitam pagar um salário digno, uma vez que precisam garantir que terão mão de obra disponível.

Em relação ao trabalho, tais pensadores se sustentam na teoria marxista, elaborada no século XVIII, a qual já era errônea para o capitalismo vigente na época e é muito mais sob o qual se vive nos dias atuais, além de ter sido refutada pela Escola Austríaca. Essa mudança no funcionamento do capitalismo e da sociedade como um todo foi consequência das poucas medidas liberais já implementadas na história, mas que por sua vez já tiveram muito efeito. Se os princípios liberais fossem de fato implementados na sociedade, o marxismo e qualquer teoria contrária ao livre mercado não passaria de um devaneio. Sem contar o fato de que, hoje em dia, grande parte das pessoas têm uma qualidade de vida melhor que os mais ricos tinham na época, não apenas em bens materiais, mas também em serviços e acesso à informação.

A ideia de que a economia seria um jogo de soma zero está correta em dois casos, o citado acima – de uma ditadura socialista – e também em governos que cobram altíssimos impostos, que muitas vezes não são revertidos para seus contribuintes e sim para a elite do funcionalismo público. Como exemplo, recentemente foi publicado um levantamento do governo federal, no qual é mostrado que o salário médio em estatais brasileiras é 13 vezes maior que a média do setor privado (R$ 31 mil/mês). Evidentemente, os serviços prestados não fazem jus ao valor recebido por seus funcionários.

Por fim, é explícito o fato de que vivemos em uma economia que se aproxima da teoria da soma zero, mas não por conta das firmas e seus donos e sim por conta dos mesmos defensores dessa teoria, que por sua vez, advogam a favor de um Estado gigantesco. Este que vive às custas dos trabalhadores, que já trabalham mais de 150 dias apenas para pagar seus impostos. Dessa forma, a grande razão pela qual a culpa é do Estado se deve ao fato de que ele cria distorções no regime de concorrência que impedem seu pleno funcionamento, bem como a existência plena das liberdades individuais. O grande fator, trazido por Hayek no livro “O Caminho da Servidão”, é de que o socialismo e seus simpatizantes compactuam com uma teoria coletivista que é oposta ao defendido pela democracia, a qual é baseada numa teoria individualista. Assim, para que o socialismo possa ser exercido, é necessário suprimir as liberdades individuais e, por conta disso, a esquerda tenta aplicar medidas que visam destruir o livre mercado com o intuito de facilitar o fim das liberdades e o início da economia como um jogo de soma zero. Logo, é obrigação do liberal, assim como de qualquer indivíduo que defenda sua liberdade, condenar tais atitudes que visam única e exclusivamente acabar com os direitos naturais: vida, liberdade e propriedade privada.


Este texto foi escrito por Frederico C. Traina. Fred tem 18 anos, é graduando de Administração de empresa no Insper e é associado 1 do IFL Jovem SP. Atualmente é diretor de investimentos do Insper Fintech, a primeira entidade universitária ligada ao mundo das Fintechs e membro da diretoria financeira do IFL Jovem SP.

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